sábado, 4 de fevereiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo XII

LISBOA - PORTUGAL

LISBOA: A CIDADE DO FADO

Diz à história que do cais de Belém, pelo Rio Tejo, no ano de 1500, saíram às naus portuguesas rumo às índias. Mas quis o destino, ou os interesses políticos e econômicos, que uma grande tempestade trouxesse a companhia de Cabral às terras brasileiras. E assim nos tornamos colonizados. Hoje a mesma viagem que durou meses em meio a tempestades e tormentas se faz em oito horas de vôo, não menos turbulentas. Chegar a Lisboa é quase retornar-se a casa. O filho pródigo volta ao lar. Ou como diria Buda, o rio sempre retorna por onde outrora passou [citação em Sidarta, de Hermann Hess]. E tudo funciona como uma espécie de retorno às origens. A fora a língua, a culinária, os modos, a arquitetura e a cultura nos são muito próximas. Pela Avenida República chegamos ao hotel, Albergue da Juventude, localizado no centro, próximo a Praça Marques do Pombal. Nela, uma grande estátua se eleva para homenagear o homem que reconstruiu a cidade depois do grande terremoto acompanhado de tsunami que a assolou e a reduziu a ruínas.


RIO TEJO
A Avenida da República é ampla e corta a cidade, divida em bairros tradicionais e históricos. Por ela chega-se ao Campo Pequeno, onde uma grande arena serve de espaço as touradas. O cantor brasileiro lançado ao estrelato internacional tem show marcado para fevereiro. Pena que a nossa primeira referência a invasão inversa, onde os brasileiros marcam presença nas terras dos lisboetas seja de tão discutível qualidade. Adiante se encontra a Praça Duque de Saldanha, de onde a avenida recebe o nome de Fontes Ferreira de Melo, para depois da Praça Marquês do Pombal se transformar em Avenida Álvares Cabral. A partir da Basílica da Estrela, localizada diante de um grande e harmonioso parque, esta será mais uma vez renomeada para se transformar em Avenida Infante Santo e desembocar na Doca de Alcântara, onde forma uma espécie de anel. Ao sul, a mesma via passa a ser conhecida como Avenida da Índia e nos leva ao centro cultural de Belém, onde hoje se encontra instalado o Padrão dos Descobrimentos. O monumento é belo e imponente, representando uma grande caravela que ruma em direção ao oceano. Pela orla alcançamos a Doca do Bom Sucesso. Atravessa-se uma ponte em madeira e entra-se na Torre de Belém, antigo castelo que se mostra rodeado pelas águas do Rio Tejo. No centro cultural oito museus contam e recontam as histórias e tradições de Portugal. Próximo ao Lago das Princesas está o Museu Berardo, acompanhado do Museu de Arte Popular, o Planetário e o Museu Nacional de Arqueologia. Na Praça de Málaca encontra-se o Museu da Marinha que resgata as grandes conquistas portuguesas, próximo ao Mosteiro dos Jerônimos que se estende soberano e revela a arquitetura clássica portuguesa. A poucos metros encontramos o Museu da Presidência da República e adiante o Museu Nacional dos Colches. Neste, a riqueza de detalhes se revela nas antigas carruagens utilizadas pela família real. Estão ali algumas carruagens presentaeadas aos papas e reis da Espanha, Inglaterra e França. Fecha-se o ciclo cultural [ou quase círculo] com o Museu da Eletricidade.


PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS
Voltando em sentido norte, pela mesma Avenida da Índia, chega-se ao Museu do Oriente, onde a via transforma-se em Avenida 24 de Julho, que nos leva ao Museu de Arte Antiga e depois ao Cais do Sodré. Alguns metros a mais e entramos na Praça do Comercio, de onde se pode avistar o antigo Castelo de São Jorge e a Igreja da Sé de Lisboa, no ponto mais alto da cidade. A crise econômica enfrentada pela Europa se faz mais presente e evidente em Portugal. É claro que na Itália e na frança se fala da crise econômica e se teme o futuro. Destacam a situação privilegiada do Brasil como futura grande potência e revelam certo ressentimento, até, pelas novas perspectivas. Na verdade verifica-se claramente o quanto a crise e o novo cenário atual tem atingido o orgulho e auto-estima européia. Neste ponto, Londres se mantém distante, mas não imune ao efeito cascata. Fora da União Européia, adota moeda própria e talvez por isso sofra menos os impactos. Mas em Lisboa a crise é claramente evidenciada pelos registros da cidade. A população em situação de rua revela uma realidade também muito próxima a nossa, considerando as proporções, claro. Na Praça do Comércio, por exemplo, moribundos, desempregados e idosos oferecem “marijuana” [maconha] a céu aberto. Também nos ofereceram cocaína. A situação, de certo modo, chega a ser acintosa, pois não se espera ver na Europa as mazelas dos países subdesenvolvidos. Mas em suas devidas proporções estão lá.

No sítio histórico, próximo ao Teatro Nacional D. Maria II, localizado diante de uma grande praça, homens desocupados, em sua maioria, negros, se amontoam em bancos e esquinas. A polícia municipal [ou estadual] se faz presente. Contudo, algo de estranho torna o ar tenso a um visitante mais atencioso. Seguimos nosso passeio e nos deparamos com a Casa dos Bicos, velha construção de paredes pontiagudas. Mais adiante se encontra o Museu do Fado e as Portas do Sol. No dia seguinte vamos até o Castelo de São Jorge. A subida a grande colina é feita de bonde e torna-se uma experiência única. As ruas estreitas revelam conjunto arquitetônico riquíssimo em detalhes que salientam o cotidiano das velhas vilas portuguesas. Apesar dos problemas sociais a cidade é extremamente limpa, bonita e organizada. Velhos casarios se estendem pelas vias de acesso, de onde se avista varais com roupas de uso que flamulam livre ao sabor dos ventos. Senhoras de cabelos grisalhos conversam das janelas. A cidade está viva e parece seguir sua rotina normal, indiferente a presença de estranhos.

ELEVADOR DE SANTA JUSTA
A TORRE EIFFEL DE LISBOA
 
CASTELO DE SÃO JORGE
Das ruínas do antigo castelo se tem uma visão panorâmica da cidade e entende-se um pouco de sua complexidade. Na verdade lembra as ruas e casarios de Olinda, ou do bairro antigo do Recife. Depois do maremoto que destruiu a cidade, os prédios foram construídos em formato quadrado e com estrutura para suportar novo ataque marítimo. Desta forma, a cidade foi planejada, o que lhe confere um sentido de ordem que se sobrepõe a desordem do momento atual. Um fato que chama a atenção é a quantidade de alunos em visita aos museus, comum na Europa, e erroneamente raríssimo no Brasil. São as aulas de história e arte que acontecem diariamente, contribuindo para a consolidação do orgulho e cidadania portuguesa, londrina, francesa e italiana. Das antigas muralhas do castelo verifica-se a movimentação da cidade. Na área externa ruas calçadas com paralelepípedos nos levam a antigos e históricos restaurantes. Não se come em Lisboa sem antes experimentar o tradicional pão umedecido no Azeite de Oliva.


TEATRO NACIONAL D. MARIA II
Portugal como os demais países que visitamos vive da cultura. É comum frequentar teatros durante os dias da semana. Seja terça ou quarta feira os espetáculos estão lotados. No Teatro Nacional D. Maria II assitimos “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf”, de Edward Albee, encenação com três horas e meia de duração. No Teatro Comuna de Pesquisa, mais três horas para ver “Design For Living”, de Noel Coward. Apesar de longos os espetáculos mostram uma arte consolidada, madura e profissional. Diferentemente do Recife, é possível se viver com dignidade do teatro e das artes de modo geral na Europa. Na televisão a programação é diversificada. As novelas fazem sucesso e revelam a influencia sobre nossa cultura. “Morangos com Açúcar” seguem a formula da Malhação. Perece não existir horário fixo para as novelas, pois que as duas e meia da manhã ainda rende os capítulos de “Meu Anjo”, que entra no ar depois de “Santo Remédio”. No domingo após nossa partida estava prevista a estréia de “Proibido Amor”, cujo slogan alertava que “quanto mais proibido, mais apetecido será o amor” e com elenco formado pelos atores que estão em cartaz no D. Maria II. A quantidade de anúncios de remédios chama a atenção. Para um desavisado a sociedade lisboeta se mostra doente, ou hipocondríaca. Depois refletimos e constatamos que não é tão diferente no Brasil. Não existem propagandas de bebidas alcoólicas ou cigarros. O jornalismo alerta os compatriotas sobre a crise. O governo português reduziu benefícios e cortou 13º, 14º e férias remuneradas também para os empregados da rede privada. Entre as medidas mais drásticas, 15.000 aposentados perderam ou tiveram reduzidos seus benefícios. Os bombeiros entrariam em greve devido ao atraso nos salários e falta de condições de trabalho, inclusive falta de fardamento.

Neste   sentido, a Praça Marquês do Pombal serve de espaço para os movimentos sociais e políticos. Lisboa em comparação com París, Londres ou cidades italianas se mostra mais verdadeira e real, menos cenográfica. O povo vai às ruas para reivindicar direitos. Na conjuntura atual o turismo se mostra uma estratégia de sobrevivência. São amáveis com os brasileiros, latinos de modo geral e principalmente com os orientais. Assim como os brasileiros, os indianos se mostram a vontade e encantados com o velho mundo. Os japoneses, coreanos e todos os de olhos puxados andam pelas ruas em grupo, de mãos dadas, como cordas de caranguejos. Impacientes se mostram mal educados. Furam filas, falam alto e esbravejam a morosidade a que não estão acostumados. Um descuido e pode-se ser atropelado por eles em qualquer lugar das cidades européias. Mas apesar da agitação política e econômica que enfrenta Lisboa se mostra calma e tranquila, tanto que se pode andar de madrugada pelas ruas sem receio ou medo de assaltos. Aparentemente não existe violência urbana, pelo menos nas proporções a que nos acostumamos.

PARQUE EDUARDO VII
Na  verdade    a cidade dorme cedo  e acorda tarde, talvez devido ao inverno, que segundo eles ainda não havia chegado. Estávamos a 12 graus mais conseguíamos sair sem uma grande quantidade de casacos. Próximo a Praça Marquês do Pombal encontra-se o Parque Eduardo VII [descendente do rei gay inglês, Eduardo II, abominado pelo Reino Unido]. Belos jardins se elevam para cima da colina transformando o espaço em uma área exuberantemente verde. Uma ida rápida no banheiro público e mais uma característica nacional nossa se revela. A pegação se mostra persistente e acintosa, tal como no Brasil. Interligado encontra-se o Parque Amália Rodrigues, famosa cantora que desfia lamurias e casos amorosos no melhor estilo melodramático. São os amores proibidos que povoa o imaginário dos fadistas. À noite no Baixo-Chiado, bairro alto e histórico da cidade, é romântica e melancólica ao mesmo tempo. Sentar em um dos bares e apreciar uma boa cerveja, e principalmente o famoso vinho do Porto torna-se uma experiências fenomenológica e inesquecível.
PARQUE AMÁLIA RODRIGUES



A CRISE EUROPÉIA

Depois de uma semana em terra lusitana começa-se a compreender melhor a vida, a cultura e o cotidiano dos portugueses. Impossível se torna não identificar sua influencia sobre a nossa cultura, vida e cotidiano. No aeroporto, a agitação dos brasileiros nos faz começar a despertar para a realidade. É como se começássemos a sair de um sonho bom. Fala-se alto, gesticula-se demais. Existe uma variedade enorme de sotaques que agora nos parecem estranho, porém não menos belos. Nos identificamos de imediato. Nos encontramos ao sorrir com a espontaneidade brasileira. Somos frutos da mistura e por isso nos tornamos misturados dentro de uma mesma nacionalidade. Somos múltiplos, e acima de tudo somos vivos. Não somos mal educados, mas apenas seguimos uma ética de conduta própria e inigualável. Temos o sangue quente como o sol. É isso, somos a terra do sol. E somente isso nos torna Iluminados e únicos.

Próxima parada, carnaval de Recife e Olinda!

A TERRA DAS TOURADAS

FIM DE VIAGEM

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - capítulo XI


CASA DE ARMAS DA RAINHA

LONDRES: UMA CIDADE REAL

Se desejar sentir na própria pele o significado da exclusão, deverá ir a Londres, capital do Reino Unido, na Inglaterra. Para se chegar até lá no entanto, vindo da França, será preciso enfrentar a calmaria do Canal da Mancha. Esse foi o percurso que fizemos. A viagem é bela, pois em pouco tempo avista-se terras nos dois extremos. Dois povos, dois países, culturas distintas. Gaiovotas sobrevoam a embarcação e parecem nos saudar ao longe. Algumas mergulham e sobem as nuvens carregando pequenos peixes. No navio tudo é muito grande e luxuoso. Possui três andares onde os passageiros podem se divertir em compras, almoços, lanhes e cafés. Tem cinema, sala de socialização, espaço para leitura e repouso. Se preferir pode-se chegar até a proa para apreciar as águas sobre as quais se flutua. O vento frio da um ar charmoso a viagem, que não é muito longa, mas que para quem tem medo do mar parecerá eterna. No restaurante a velha e tradicional comida inglesa: peixe frito acompanhado de batatas fritas. Nada mais como opção. Nada mais decepcionante. O aspecto é anêmico e pouco inspirador. O mar sacode o navio, que balança as mesas, que sacode os os pratos. Nosso corpo acompanha. O peixe parece vivo e remove-se no estômago. Nesse movimento a gororoba parece viva, desejando voltar a boca.


PONTE DA TORRE

No máximo em uma hora chega-se a Dover. Muralhas de rochas parecem formar o cais. No ônibus de turismo descemos a rampa do navio e seguimos para o estacionamento. Espera-se numa fila que parece quilométrica até chegar aos guinchês, onde deve-se apresentar o passaporte para permissão de entrada. A frieza dos londrinos se revela de imediato. Impacientes e desconfiados nos submetem a uma breve entrevista, em infglês, claro. A dificuldade no idioma pode ser um dos motivos para invalidar a entrada. Os londrinos não se esforçam em se fazer entender, e logicamente, em tentar entender o estrangeiro. Recorro ao auxílio da guia que nos acompanha em viagem. O homem louro e de bigodes e ar cisudo não lhe dar atenção e mantém os olhos cravados em mim. Um certo desespero me invade pois preciso tempo para organizar as idéias, traduzir o que me pergunta e pensar na resposta. Sou salvo pelo meu companheiro de aventuras, que a esta hora está no guinchê ao lado. Passaportes carimbados, o próximo passageiro é convocado ao local. Atravessamos um corredor e seguimos para o ônibus. O frio de Londres não se faz apenas na temperatura local.

 
Aos poucos nos afastamos por estradas bem estruturadas. Parecemos seguir na faixa constrária. Estamos no lado posto da via. Dizem que antigamente o transito era assim, e apenas o Reino Unido resolveu manter a tradição. Olhando os veículos que seguem ao lado, algumas vezes somos tomados de subto e imaginamos que se movem sozinhos. Na verdade o motorista oculpa o lugar do carona. Outras vezes, crianças que andam na frente junto ao condutor parecem dirigir. Já na cidade, paramos em um estacionamento para visitar um famoso castelo - Casa de Armas da Rainha, onde são guardadas suas jóias. Localizado na entrada de um bairro histórico, sua suntiosidade e elegância chamam a atenção. O Rio Tâmisa corre ao lado. Sob ele está a famosa Ponte da Torre. Como nos filmes, uma ponte suspende-se sobre o calabouço e nos leva até a porta do castelo real. Seguimos pelas margens do rio. Do outro lado avista-se o Canary Whaff, o maior e mais importante centro financeiro do mundo, onde nos hospedaremos. A luz se reflete nas grandes espigas envidraçadas. Um prédio ovaloide todo em vidro nos chama a atenção. É a nova prefeitura. Os flashes disparam apressados. Londres é apressada. Tudo tem horário marcado. Nada foge ao rigor. Por isso voltamos para seguir viagem. Somos severamente parados por uma Londrina negra e mal educada. Ela reclama o atrazo de três minutos e diz que teremos que pagar o dobro o valor do pedágio. Nossa guia, Ana Belém, de origem e temperamento espanhol junta-se a motorista, Tonni, italiana, para encarar a londrina. O bate boca aumenta de tom. Não adianta, ou se paga ou não se sai. A mulher de baixa estatura esbraveja enquanto libera a passagem. Acena em gestos grosseiros revelando sua reprovação.


CANARY WHARF

O Canary Wharf é um bairro construido sobre o rio. Uma ilha artificial formada sobre pilotis fincados nas águas. Em nada se compara a Veneza italiana, mais não podenos negar seu encanto e magia. No Britannia Hotel novo contratempo. Um dos passageiros com dificuldades de locamoção solicita auxílio. As instalações não oferecem acessibilidade. A recepcionista, fria e esquiva, comunica que esse é um problema nosso. Dá as costas. Segue imparcial no atendimento aos hóspedes. Mais uma vez a frieza que incomoda não vem somente dos ares gélidos, mas da indiferença. Tomamos os elevadores e seguimos por um grande corredor forrado com grosso carpete. O hotel é extremamente brega, meu ver. No quarto, as camas são colocadas em frente a um antigo móvel de madeira. Uma antiga penteadeira, tão conhecida por nós brasileiros nos anos 60 e 70. Cortinas marrons escondem a luz externa. Tudo parece abafado e úmido, inclusive o grosso tapete de cor verde oliva que cobre o piso. No teto um lustre dourado formado por vários cristais de vidro completam a cafonisse. Tudo cheira a tradição e conservadorismo. O hotel é quatro estrelas mais a decoração lhe dar um ar de quinta categoria. Existe uma mistura de paças na recepção. Arte oriental se mistura a esculturas gregas e romanas. O restaurante é amplo, porém sombrio. O banheiro é outro problema. A velha dificuldade em acertar a temperatura da água, a tradiconal ducha que deverá percorrer o corpo.



TROCA DA GUARDA REAL

Desço até a recepção e me encaminho para área externa, onde se poder fumar. Um grupo de senhoras bem vestidas [ou pelo menos acreditam nisso] acompanha um grupo de senhores trajando longas e grossas estolas. Eles também fumam. Um funcionário os adverte que devem permancer além do tapete vermelho. Uma senhora inglesa lhe esnoba o comentário e depois de fumar apaga o ponta do cigarro sobre o tapete. Me aproximo do grupo. Estou vestindo uma grossa calça, tipo moleton, e casaco por cima de uma camisa de malha. Os ingleses me olham dos pés à cabeça. Resmingam algo entre sí e se afastam grosseiramente. Escuto a palavra “latino” e, logicamente, entendo a ação [ou melhor reação]. Reflito sobre o processo de exclusão. Naquele momento somos todos parte de um mesmo grupo, pois temos em comum a hábito de fumar. Estamos todos excluidos, pois que nos reservam um pequeno espaço, longe do tapete vermelho. Porém, se o cigarro nos une, as origens nos separam e nos diferenciam. Depois penso como podem se mostrar tão intolerantes se mais de 50% das pessoas que vivem em Londres não tem origem inglesa. Entendo que eles não cultivam a familia real sem motivos. Talvez acredcitem na lenda do sangue azul, e por isso nobres demais para fumar junto a latinos. Independentemente das elucubrações sinto o quanto é dificil se sentir diferente, principalmente quando lhe fazem questão de resaltar as diferenças. E neste sentido, os ingleses são realmente os melhores.


BAIRRO DE PICADILLY

Comento com meu companheiro de aventuras e resolvemos descer até o bar. Os casais encontram-se sentados, quietos e mudos. Não existe interação, apenas olhares que se direcionam aos visitantes. Um certo estranhamento invade o ar. Aproveitamos o clima para conversar bastante, rir bastante e trocar olhares e observações multuas com os ingleses. Uma pequena forra para desfazer o mal estar. No dia seguinte saimos pela cidade. Segundo alguns historiadores, Londres foi fundada pelos romanos aproximadamente no ano 43 d.C. Era chamada de Londinium e sofreu invasões sucessivas. Depois de ouvirmos várias histórias pomposas sobre as sucessões de reis e rainhas, contadas pela guia local, perguntamos sobre um tal Eduardo II. A senhora com aspecto conservadora parece perder o riso. Insito e pergunto se existe registros na cidade do seu reinado. Ela de forma direta diz que não. Os ingleses não gostam desse período da história. Na verdade o Rei Eduardo II escandalizou o reinado com seus romances com homens do povo. A tradição inglesa foi quebrada quando o rei coroou um filho de açogueiro em lugar da rainha. O clero se juntou ao parlamento e tramou sua derrocada. Transfiado na masmorra durante anos, o Rei Eduardo II soi empalado com ferro quente. A rainha [que nunca engravidara do rei] subiu ao trono e tradição se manteve. Como se diz no bom ditado popular, rei morto é rei deposto. Assim, Eduardo II foi riscado da história.


RESIDÊNCIA REAL

A formalidade londrina é claramente estampada pela troca da guarda real, em frente ao Palácio de Buckingham, onde milhões de pessoas se atropelam diariamente. Milhares de flashes disparam ao mesmo tempo na tentativa de registrar algo de novo e inusitado. Soldados vestidos de vermelho empunham um grande chapéu preto na cabeça. Desfilam em filas, pelas ruas principais, em frente ao castelo, e seguem eretos. A troca da guarda real acontece apenas pela manhã e parece demorar uma eternidade. No pátio interno, os soldados, em pares, se dirigem até uma janela [onde supostamente estaria a rainha] e fazem reverências. O ritual se repete até que os últimos soldados voltem ao posto original. Tudo parece mecânico, mas lembram os velhos bonequinhos da infância. Na frente da residência real se estende o St. James´s Park. Uma tarde junto aos esquilos é sem sombra de dúvidas motivo de diversão. Eles correm, escalam árvores e percorre jardins repletos de aves, incluindo cisnes brancos como a neve. De uma ponte observam-se novos castelos e prédios históricos. Lembram os contos de fada. O Big-Bem se mostra imponente e parece combinar com as antigas cabines telefônicas e os tradicionais ônibus vermelhos.


ST. JAMES´S PARK

Andamos pelas ruas e chegamos a Picadilly, bairro artístico. Vários teatros oferecem grandes espetáculos. Num deles um grande sapato de salto alto resplandece. Priscila – a rainha do deserto está em cartaz, assim como Billy Eliot e mais uma porção de musicais. Como em São Paulo, cabines comuns de telefone público servem de espaço para divulgação de serviços sexuais. A prostituição feminina se faz presente na terra da rainha. Depois de horas andando, sentamos para um café e uma cerveja. Saio para fumar e preciso de fogo. Dirijo-me a uma mulher sentada na frente do boteco. Gentilmente solicito o isqueiro. Ela me estende o objeto, porém no bom inglês, me pede que seja “breve”. De volta ao Canary Wharf, tem-se a impressão de se estar em outra cidade. As grandes paredes de vidro substituem as grandes muralhas de tijolos e pedras. Chega o ano novo. Fogos explodem no ar. O frio invade os pulmões e passamos a noite tomando cervejas com um casal de cariocas. O dia amanhece chuvoso e cinzento. No dia seguinte partimos cedo para o aeroporto. Paro no saguão e percebo que do Reino Unido, prefiro as malas que me acompanham a saudade que não me assola.

Próxima parada, Lisboa!


CANARY WHARF

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo X


O FRIO DE PARÍS
 O MUSEU DO LOUVRE: OITO SÉCULOS DE HISTÓRIA

No fim do século XII, o rei Felipe Augusto mandou construir um castelo num local já chamado Louvre. Quase dois séculos depois a austera fortaleza é transformada em residência do rei Carlos V. O “palácio gracioso e vivo como um esmalte” enfrenta a guerra dos cem anos e afasta a realeza e passa a abrigar uma prisão. Francisco I decide morar na cidade luz, antiga boa vila, e inicia as reformas que transformarão o Louvre em um verdadeiro palácio da Rensacença. Em 1564, Catarina de Médicis manda edificar o Palácio das Tulherias, a seissentos metros do antigo palácio. A nova obra, ao longe parece unir as duas edificações. No fim do reinado, Henrique IV interliga os dois antigos palácios graças a grande galeria as margens do Sena. O prédio assume a forma de U. O Rei Sol desperta atenção por Versalhes, a vinte quilômetros de Paris. O velho castelo é abandonado mais uma vez e torna-se invadido pela escória, morimbundos e comerciantes. Em 1776, o conde de Angiviller o transforma em museu, porém sua abertura oficial é impedida pela Revolução Francesa. Finalmente, em 1791 é criado oficialmente o Museu Central das Artes, somente inaugurado dois anos depois. Em 1866, Napoleão III realiza o “grande desenho” interligando o Palácio das Tulherias ao Louvre com a construção da ala norte. Porém em 1871 a Comuna incendeia as Tulherias e a obra será definitivamente destruída pela III Repúplica. Com o desaparecimento do histórico prédio, o Louvre finalmente abre seus dois grandes braços em direção ao Jardim das Tulherias, a Place de la Concórdia [onde milhoes de pessoas foram decaptadas no passado na antiga bastilha] e ao Arco do Triunfo. Em 1981, no governo de François Miterrand surgem as pirâmides que atualmente se erguem na frente do maior museu do mundo.

VITÓRIA DE SAMATRACIA - 190 a.C.

Diz-se que é no pátio do Louvre que se inicia o eixo histórico de Paris. Começando pela estátua de Luiz XIV, no pátio principal do Palácio do Louvre até o jardim das Tulherias, Place de la Concórdia, dos Champs-Élysées, para terminar no Arco do Triunfo, em meio a Place Charles de Gaulle. Ao longe a Torres Mantparnasse e a Basílica de Sacré de Coeur, no topo da colina Montmatre, tornam-se referências aos céus parisienses. Visitar o Louvre é antes de um simples paceio, uma prova de resistência e persistência. Uma fila quilométrica se estende por ruas paralelas. O frio corta a pele e parece congelar as pernas. Estamos abixo de zero e a tonelada de roupas se mostra insuficiente. O tempo corre mas a fila não anda. Milhões de sutaques se misturam em vários idiomas. Tem gente de todo o mundo alí. E não estamos falando de centenas, mas de milhões de pessoas que se espremem e se apertam na tentativa de vencer o desafio. Uma hora contada de relógio até atingir a fila principal instalada no pátio externo do museu. O frio aumenta. Não existe onde se esconder. O Sena parece brincar empurrando uma brisa gélida e implacável. Mais uma hora se passa e agora chegamos junto a pirâmide principal. A revista policial é lenta, a fila é lenta. Não existe pressa, porém a fila é longa demais. Mais trinta minutos e estamos na porta de entrada. Já são 12:00 e a fome vence o frio. Sanduiche e café quente tornam-se especiarias preciosas.

DIANTE DA MONALISA
 Acho que o período de um ano seria insuficiente para se conhecer o Louvre. Ansiedade controlada e racionalização facilitam a seleção mínima do que se pode absorver. Mesanino, térreo e mais dois andares para trilhar em poucas e preciosas horas. Impossível perder mais tempo com pensamentos. Um mapa nos serve de guia. No entresol [mezanino]: esculturas, antiguidades egípicias, história do Louvre, Louvre medieval, salas de exposições temporárias; no rez-de-Chaussée [térreo] antiguidades orientais, antiguidades egípicias, antiguidades gregas, etruscas e romanas, artes da África, da Ásia, da Oceania e das Américas; no premier étage [primeiro andar]: objetos de arte, mais antiguidades egípicias, gregas, romanas, etruscas, pinturas, artes gráficas e salas de exposições temporárias; no second étage [segundo andar]: pinturas francesas, artes gráficas, desenhos franceses, pinturas alemãs, flamengas, holandesas, belgas, russas, suíças e escandinavas, mais salas de exposições temporárias. Estávamos diante do mundo. A história da humanidade contada através das artes. Da mais pura e genuina arte a que se pode ter acesso. Destino traçado, seguimos pelas escadarias em mármore branco da ala Sully. No topo da escada encontramos a Vitória de Samotracia, estátua em mármore datada de 190 a.C. Uma mulher alada sem cabeça é representada de forma magistral. Os olhos tentam capitar o máximo da mais pura beleza. A sensilidade e o refinamento se revelam em cada peça, cada obra. Tudo é grandioso.

DAVI EM LUTA
A multidão se apressa. Parece seguir um destino previamente estabelecido. Afinal o Museu do Louvre esconde o sorriso mais famoso e enigmático do mundo. Fazemos o percurso lentamente saboreando cada detalhe. Como é triste ser um tolo ignorante diante de tanta magnitude. Um corredor quilométrico se estende a nossa frente, é um dos braços do Louvre. Entra-se por uma galeria e lá está ela. Triunfal e indiferente aos olhares astuciosos e ávidos por detalhes precisosos. A Gioconda de Leonardo da Vince parece zombar do séquito de admiradores. Os flashes disparam e refletem luminosidade na proteção de vidro que isola o quadro. Cem metros é a distancia máxima de aproximação. As pessoas se aglomeram e é preciso lutar por um espaço mais previlegiado. Nos colocamos diante da obra. O criador aparece em cada pincelada, em cada pigmento que compõe a pintura. É simplesmente magistral. A sutileza se apresenta diante dos tolos mortais. Luz e sombra se misturam de forma harmoniosa. O famoso sfumato se mostra desvanecido nos contornos de uma mulher misteriosa. Não é bela, muito menos feia. Não existe classificação, pois que a beleza está na obra, no todo, e logicamente em seu significado e representação. Diz-se sobre a mesma, que Leonardo não desejou descrever com precisão os contornos da Giocaonda, ao contrário desejou pintar sua alma. Talvez aí se concentre o grandde mistério, a sutileza da alma, de algo que não se faz concreto, algo que não se sabe real. Apenas fantástico. Apenas os iluminados compõem tamanha beleza.

CORREDOR DA ALA SUL
Saímos calados, pensativos. Descemos escadas, entramos em galerias, atravessamos alas intermináveis. As obras parecem exigir o máximo de atenção. Dificil decidir por onde continuar, o que ver primeiro. Descemos ao pavimento térreo. O Louvre é uma obra de arte em si mesmo. Seguimos para a exposição de antiguidades egípicias. A Esfinge mostra-se emblemática. Nos tornamos pequenos diante de tanta genialidade. A noite se anuncia e com ela nossa partida. Seguimos novas escadarias e nos encaminhamos rumo a brisa. As pirâmides agora se estão iluminadas revelando a luz que sai das profundezas da terra. Brincamos em poses fotográficas. Sobe-se em um pdestal de mármore preto e tem-se a idéia de se abraçar a pirâmide maior. Ilusão de ótica milimetricamente calculada e prevista. Nossos olhos se cruzam. Eu e meu amigo de aventura não encontramos palavras para descrever impressões, opiniões. Não se faz necessário. É preciso tempo para absorver, fazer o espírito ruminar cada informação. Olhamos de volta para a entrada do museu. Apesar de italiana a Gioconda pertence a París. Pois que como ela, a cidade nos faz um convite aos mistérios. Um convite ao retorno. Definitivamente não se deve morrer sem conhecer o París – a cidade de sorriso enigmático.


ANTIGUIDADE EGÍPICIAS
Próxima parada: Londres!

GIOCONDA DA LEONARDO DA VINCI


 

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo IX

TORRE EIFFEL DE PARÍS

PARÍS: A CIDADE LUZ.

Segundo um grande e sábio amigo, “ninguém merece morrer sem conhecer París”, a capital francesa que se revela como uma bela e enigmática senhora. Uma espécie de deusa que se mostra sinuosa e cheia de segundas intensões. Sedutora e misteriosa, a cidade brilha e faz brilhar nossos olhos diante de magnifíca beleza. Facilmente nos tornamos presas. Ficamos enamorados, pois que París é magnética, e por isso, enfeitiça como uma velha serpente que preguisoçamente se fecha em forma de caracol para se esquentar. Ninguém conhece verdadeiramente París sem se deixar engolir, pois que suas víceras nos contam histórias. Das suas entranhas emergem os submundos comuns aos excluídos para tornar as margens de París não tão belas quanto as do Rio Sena.


TARDE AS MARGENS DO RIO SENA

Segundo alguns historiadores, o nome da cidade é de origem Celta, de um povo gaulês chamado outrora de Parisii, ou Parísios. Pouco se sabe de sua história antes da invasão romana, mas já no século XVII era considerada a capital da maior potencia política européia, tornando-se no século seguinte o centro cultural de toda Europa. O Iluminismo, caracterizado pela efervecência criativa deu-lhe o título de Cidade Luz. Hoje, a eterna Meca da Belle Époque é a cidade mais visitada do mundo devido ao acervo cultural e artistico. Porém, ainda na Idade Média a cidade torna-se sede do poder real. Inicia-se o Renascimento de París e florecem as artes, as letras, a música e principalmente a arquitetura. O convívio “passifico e hamonioso” entre a privilegiada burguesia e proletariado chega ao fim com a histórica revolução francesa, fazendo emergir das cinzas do império uma nova cidade industrial cheia de problemas sociais e instabilidade política que a caracteriza até os dias atuais. Após vencer a primeira guerra mundial a França vivencia um século de barbárie e o nazismo obscurece a cidade luz até o ano de 1944. Os estudantes voltam as ruas em 1968 provocando nova revolução que reclama soluções imediatas as taxas de desemprego e a marginalização dos imigrantes, atuais desafios da cidade implantada sobre o Sena.

PONTE ALEXANDRE III
Assim como Recife, París é formada por ilhas. Seu centro histórico estende-se pela île de la Cité, ao oeste, e pela île Saint-Louis ao leste. E assim como nosso Capibaribe, o Rio Sena não só divide ilhas mas também classes sociais. Desse modo em ambas, as águas não só separam vidas, mas também histórias. A París intra-muros estabeleceu-se no ano de 1844 e só dezesseis anos depois anexaram-se as comunas e bairros encerrados pela mesma muralha. Uma via expressa urbana com mais de 35 quilometros se estabelece como artificial fronteira. É o bulevar periférico que se interpõe entre a cidade e as comunas limítrofes, que absorvem a expansão demográfica provocada pelo êxodu rural. Como estratégia política a Grande París é subdividida em oito departamentos administrativos e atualmente 80% de sua população é classificada como suburbana.


VISTA DO RIO SENA - CENTRO HISTÓRICO DE PARÍS

Hospedados no Le Franlin Hotel, situado na comuna parisience ou bairro de suburbio chamado Màrie de Montreuil, registramos de perto a segregação étnica e social. O bairro possui boa infraestrutura, com subprefeitura e autonomia administrativa. As ruas são calmas e arrumadas. A população em sua maioria se mostra negra, de origem africana. Imigraram das colônias francesas e se estabeleceram na região. Deferente do Brasil, os negros se mostram empoderados e inseridos no contexto histórico, político e econômico. Apesar das diferenças clássicas entre os bairros que formam a Grand París, existe um refinamento que também é clássico e nobre. Nobreza que só se adquire com cidadania. París na verdade se forma e se estrutura como caracol. No centro emerge o sitio histórico e aristocrático, aos arredores vão surgindo os bairros ou cidades satélites. Quem está no centro se considera mais parisiense do que estar nas margens. A velha divisão de classe também se estabelece nos mesmos moldes entre urbanos e suburbanos, entre ricos e pobres. As mulheres se mostram independentes e altivas. As ruas pacatas parecem revelar certa amistosidade entre os habitantes, contudo, os metrôs e prédios menos modernos evidenciam as grandes diferenças étnicas, religiosas, sociais, econômicas e políticas.

 
TORRES EIFFEL - CENTRO DE PARÍS

A partir de 1855, París iniciou uma série de exposições universais estimulando a edificação de numerosos monumentos. Durante a exposição de 1889 surge então a Tour Eiffel. Idealizada e construida por Gustave Eiffel, com ferro do século XIX, a torre encontra-se localizada no Champ de Mars [Campo de Marte], no centro histórico de París. Possui 324 metros de altura e já foi considerada a estrutura mais alta do mundo. Possui três níveis, sendo o terceiro só acessível através dos elavadores que parecem subir em diagonal em direção ao infinito. No primeiro nível, que se alcança depois de subir 300 degraus, encontram-se as lojas e lanchonetes. No segundo pavimento encontra-se o restaurante Le Jules Verne, um dos mais caros da Europa. A própria história da torre merece capitulo a parte. Admirada ou criticada, manteve-se sob ameaça durante muitas décadas. Contam que um certo crítico renomado solicitou durante anos sua retirada do centro histórico. O mesmo frequentava assiduamente o restaurante da torre, e quando indagado por Gustave Eiffel sobre a incoerência do ato, disparou: “venho sempre porque aqui é o único lugar de Paris de onde não me obrigo a ver tal geringonça”. A torre armada em homenagem ao centenário da revolução francesa foi salva na verdade por abrigar importante antena de transmissão de rádio. Hoje, encorporada a história parisiense revela-se como principal momunento frances. Um dos simbolos mais reconhecidos em todo o mundo.


MUSEU DO LOUVRE
Marcada por belezas e contradições, París, apesar de reconhecida como cidade mais visitada do mundo, é também classificada como a menos acolhedora e mais cara. A avenida Champs-Élysées [ou Campos Elísios] é uma das mais largas e famosas do mundo. Impossível não se deslumbrar com a riquesa que se estampa em cada esquina. Lojas riquissimas e famosas se espalham por toda a estensão da avenida que culmina no Arco do Triunfo, construido por Napoleão Bonaparte, em 1806, para homenagear as vitórias francesas. Antes de tudo, o grandioso munumento se configura como bela obra de arte, que se ergue entre avenidas para homenagear os soldados mortos nos campos de batalha. Ao Museu do Louvre se faz necessário capitulo especial. Visitar o bairro de Montmartre é uma excelente oportunidade para conhecer a Basília de Sacré Coeur, o Moulin Rouge – antigo cabaré francês, além dos famosos cafés parisienses onde é permitido fumar enquanto se admira a cidade. A Catedral de Notre-Dame decepciona ao visitante menos astuto. De certa forma, em nada se parece com a famosa catedral de estilo gótico exibida em filmes. Construida entre os séculos XII e XIII, atualmente é o principal centro simbólico de París, ponto pelo qual se medem as distâncias das rodovias da França. O Hôtel des Invalides impressiona pela riquesa do acervo e destaca-se como importante museu e necrópole militar. Construído no fim de século XVII, pelo rei Luis XIV, serviu inicialmente como hospital para os soldados feridos. Hoje, o charmoso prédio de domo dourado abriga as cinzas e tambpem a sepultura de Napoleão Bonaparte. O L´Hôtel de Ville abriga atualmente a prefeitura de París. Sua arquitetura esbanja luxo e riquesa de forma artisticamente harmoniosa.

AV. CHAMPS-ÉLYSÉES
Um passeio a tarde pelas margens do Rio Sena revelam a cidade mágica. Do Quai d´Orsay, cais instalado a margem esquerda, avista-se os vários monumentos famosos. Os jardins que acompanham a orla, principalmente no trecho entre a Pont de Sully e a Pont de Bir-Hakeim, revelam uma das mais belas paisagens fluviais. Seguindo-se em frente chega-se a Ponte Alexandre III, repleta de esculturas e adornos em ouro. Localizada no coração da cidade, dela pode-se avistar a Notre-Dame, o Louvre, os Invalides, o Grand Palais ao lado do Petit Palais, o Museu do Quai Branly e logicamente a Torre Eiffel que se eleva magestosa sobre arvores frondosas. A bela calma da cidade de brisa cortante é quebrada pela correria inesperada. Sirenes invadem o ar. Alguns negros e mulatos corem apressados, empunhando sacolas improvisadas e repletas de souvenis. Seguem para as margens do Sena e tentam esconder-se nos subterrâneos da cidade. Acuados pela polícia extremamente alva, são empurrados contra as muralhas. Algemados, são escoltados diante de uma população atônita e absmada com tamanha violência. Um certo desencanto me aflora e me faz pensar nas particularidades de Recife. A violência é um fenômeno universal? Ao longe avistamos os imigrantes acuados, cabisbaixos e sem alternativas imediatas. A aparente calma volta e em poucos minutos a cidade segue em sua rotina. Adiante chega-se ao Jardim das Tulheiras, criado sobre a margem direita do rio, no século XVI. Do outro lado desponta o Jardim de Luxemburgo, que em cerca de 1625 figurou como dependência privada do castelo contruído por Marie de Médicis.


VISÃO PANORÂMICA DE PARÍS
 A cidade que deu origem ao expressionismo e ao surrealismo figura agora como uma bela e comportada senhora milenar. Uma espécie de deusa do encantamento que seduz os desavisados e entorpece os eruditos. Aristocrática, revela-se acolhedora e distante ao mesmo tempo. A noite cai e as luzes invadem ruas e praças. O sol se esconde mas não traz as trevas, pois que París torna-se iluminada. Não artificialmente iluminada. Pois que de suas entranhas mais profundas emerge a lume que encandeia e a enche de fulgor e brilho. Essência da beleza. A Torre Eiffel se acende e muda de cor a cada hora exata. No topo um farol estende seus raios pela escuridão. A gurdiã da cidade se revela. París mostra-se assim, acima de tudo, uma cidade viva em si mesma. Altiva e implacável, se mostra indiferente as críticas errôneas e/ou insensatas. Nada a pertuba, nada a incomoda ou altera. Apenas à brisa parece permitido movimentar-se sem licenças, sem rodeios ou cuidados. Aos mortais, apenas a contemplação e o encanto. Nada mais se tira ou se leva dessa cidade, pois que até as mais vivas lembranças serão impróprias diante de tamanho charme, elegãncia, beleza e indiferença. Deusa única e maior. Quieta e misteriosamente linda. Sem dúvida nehuma, “não se deve morrer sem conhecer París”.


PÁTIO EXTERNO DO MUSEU DO LOUVRE

Próxima parada: Museu do Louvre!

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo VIII

SUÍÇA – A TERRA DOS ALPES CONGELADOS

ALPES SUÍÇOS

No dia 26 de dezembro deixamos a Itália e seguimos rumo a Suíça, terra tradicionalemnte conhecida pelo queijo, chocolates e pela precisão dos relógios. Dizem que os suíços são impessoais e extremamente reservados. Um dia em Copacabana, no Rio de Janeiro, nos encontramos com uma amiga baiana e seu esposo suíço. Ele se dizia encantado com o Brasil, principalmente devido a nossa diversidade étnica e cultural. No ano seguinte vieram a Recife, que não conheciam, e se hospedaram em meu apartamento. Como bom anfitrião lhes apresentei a cidade e percorremos a região metropolitana. Antes contudo, preparei um roteiro turistico que pudesse lhes apresentar a dimensão e riquesa de nossa gente. Depois de visitar o bairro antigo do Recife, seguimos pelo centro urbano, visitamos o Museu de Ricardo Brenand, a praia de Boa Viagem e o bairro de Casa Forte. O roteiro incluia ainda uma volta pela cidade histórica de Olinda, que logicamente culminou com a tradicional tapioca no Alto da Sé. Depois seguimos rumo a ao Pontal de Maria Farinha, com direito a passeio de barco até a praia de Mangue Seco. No dia seguinte articulei um viagem a João Pessoa, capital da Paraíba. Lá fomos a praia do Conde e Coqueirinho. Passamos pela pedra do amor, não sem antes fazer nossos pedidos de felicidade e sorte no amor. O turismo paraibano terminou com a visita a Tambaba, praia onde se pratica o naturismo. Voltamos dois dias depois e seguimos rumo ao litoral sul de Pernambuco. Passamos por Gaibú; Paraíso, onde lhes contei a história de Vicente Pizon; Calhetas, onde almoçamos no Bar do Israel; e depois, seguimos rumo a Poto de Galinhas, onde os deixei hospedado para um final de semana do tipo segunda lua de mel. Ao retornarem ao Recife estavam estasiados com tanta beleza natural. O suiço se supreendeu com nossa dimensão geográfica e águas claras e mornas. Acima de tudo, supreeendeu-se com nossa cordialidade e hospitalidade, sem contudo deixar de destacar nossas diferenças sociais.

Em uma visita ao Pontal do Cabo de Santo Agostinho, que segundo os geógrafos é o ponto mais próximo entre o Brasil e o continente Africano, Paulo apanhou seis pequenas pedras e disse que eram as provas de que um dia os continentes formaram um único bloco de terras. Como engenheiro marítimo, a serviço da Petrobras, revelava conhecimento de causa. Depois de um tempo a contemplar o horizonte virou-se e me entregou três das seis pedras que apanhara próximo ao precipício. Disse que seriam um simbolo de nossa amizade, e que, sempre que olhássemos para elas saberiamos que do outro lado do oceano Atlântico teríamos um grande amigo. Não tive mais notícias ou contato com o casal, e muito menos sei se ele mantém as pedras consigo. Porém algumas pessoas da Suiça tem esporadicamente acessado meu blog. Quanto as minhas pedras da amizade, mantenho-as no carro até hoje como espécies de talismã. E confesso, que uma vez na Suíça senti saudades do velho amigo, a quem gostaria de encontrar um dia para relatar minhas impressões sobre a sua cidade e cultura de origem. Assim, talvez esses escritos se configurem como uma nova versão das mensagens enfiadas em garrafas, que jogadas ao mar, um dia encontram seu destino. Não posso negar que gosto de pensar na possibilidade!

Seguindo pela costa da Itália atravessamos as fronteiras que separam os dois países. A suíça em si parece uma pequena região formada por altas montanhas geladas. As estradas são aveludadas e em nada lembram nossas rodovias. No inverno a temperatura baixa a cada quilometro percorrido rumo a Zurich. A névoa cobre em tom cinza esbranquiçado os campos que surgem masjestosos ao redor. Belas casas com telhados cobertos de neve vão surgindo a frente. Nosso percurso comprenderia mais de 4.500 metros de altitude, subindo rumo aos famosos alpes suíços. Uma parada para almoço em meio a estrada gelada nos fez tremer. O piso estava congelado e pequenas e finas placas de gelo estralavam a cada passo. Estava vendo a neve pela primeira vez. Para um nordestino enfrentar temperaturas abixo de zero é sem dúvida uma experiencia inesquecível. Nosso posso negar o deslumbramento diante de tão gigantesca beleza. Um tapete branco se estendia a nossa frente deixando os pés úmidos. Estava diante de paisagens somente vistas em postais. E agora tudo era real, e logicamente maior em proporções. Apesar do frio não resistir correr na neve. Como criança brinquei em baixo de velhos e frondosos pinheiros repletos de gotas de cristais. Meus pés afundavam a cada movimento e o gelo chegava quase ao joelho. Era incrível a sensação de bem estar. Eu e meu companheiro de aventura fizemos bolas de neve, que jogadas ao alto voltavam em forma de fina chuva branca. O tempo parecia ter parado. Nada se movia e apenas nós corriamos de lado a outro. Ao redor um enorme paredão de sorvete se elevava aos céus. Era como se estivéssemos dentro de um congelador gigante. E apesar de vontade louca de ficar, o frio parecia nos expulsar para fora de seu campo sagrado. Nas colinas, casas com telhados brancos surgiam de forma isolada. Pensei no quão maravilhoso e solitário deveria ser morar naquelas terras e por isso prometi a mim mesmo que um dia retornaria com mais tempo.


Depois de horas seguidas atravessando montanhas chega-se a capital da Suíça, Zurich. Apesar do grande engarrafamento a cidade cercada por grandes colinas revela que a precisão vai além dos seus tradicionais relógios. Zurich é cortada pelo rio Limmat e possui uma grande lagoa formada pelas águas das frias montanhas que descem em cascatas durante o verão. As margens destacam-se uma bela e organizada mistura de construções modernas e antigas. A noite é extremamente fria e as principais ruas se mostram desertas. Calçadas emendam-se as ruas por onde correm seus famosos bondes. Nas paradas de passageiros a precisão é cronometrada em dispositivo digital. Três minutos de intervalo separam um bonde do outro. No seu interior pessoas confortavelmente acomodadas ocupam o tempo em leituras. A riqueza da cidade se faz claramente estampada em vitrines bem iluminadas, bem como através da estrutura arquitetônica. Ruas estreitas, calçadas em pedras negras parecem conduzir o visitante desavisado a lugares misteriosos e sombrios. Um grupo de gays se concentra em um bar de fachada discreta onde flâmula uma bandeira do arco-íris. Poucas pessoas vagam pelas ruas calmas e extremamente limpas. De um modo geral revela-se um lugar onde tudo funciona de forma previamente planejada.

Hoje  entendo  a grande  a estranhesa de Paulo diante de tanta contradição e desiguladade social que caracteriza a cidade do Recife. Entendo porque a setranhesa também se torna miha. Voltar da Europa é como acordar de um sanho bom e encantado, onde o fantástico e o real se misturam de forma harmoniosa. Pisar mais uma vez as ruas féticas e cheias de miseráveis excluidos torna-se um choque. Mas sem dúvidas nos serve como reflexão sobre como podemos nos acostumar com a naturalização do erro e do indigno.


LAGOA NO CENTRO DE ZURICH
 

Próxima parada, Paris!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo VII

VERONA - ITÁLIA


VERONA: CIDADE DE ROMEU E JULIETA

Posso dizer que cresci ouvindo muitas histórias. Entre estas, uma me chamava a atenção e despertava grande admiração. Como nos bons contos de fada, tudo começava com o clássico “era uma vez...”, onde numa linda e antiga cidade repleta de castelos e cercada por fortes muralhas serviam de cenário a dois jovens de famílias rivais que se apaixonavam perdidamente. Apesar de não lembrar bem dos detalhes, e muitos dos personagens dessa história, sei que entre encontros e desencontros o romance atingia o ápice quando, durante a noite, iluminados apenas pela luz do luar, seus lábios se encontravam para selar promessas de um amor eterno. Mas o destino traiçoeiro e cruel os levaria ao trágico final. Certa noite, ao ver a mulher de sua vida gelidamente estendida sobre o altar, o jovem enamorado num ato de desespero finca uma adaga no próprio peito e morre sobre o corpo da amada. Ao despertar do antídoto oferecido pelo Bispo amigo, cúmplice da pretensa fuga, a jovem manceba chora a amargura e a dor da perda. E com o coração partido repete o ensandecido ato do amado. No dia seguinte o casal é encontrado inerte, abraçados e já sem vida.


CENTRO HISTÓRICO
Depois de muito tempo descobri que a história em si não se tratava de um conto de fadas, mas de um clássico da literatura estrangeira, que agora ganhava vida na televisão, em um especial de final de ano. O belo Romeu agora se chamava Cebolinha Montesquieu, enquanto que a espevitada Julieta atendia pela alcunha de Monica Capuleto. Apesar de fascinado pelo desenho animado, algo me intrigava. Não havia final trágico na história, o que contrariava meu antigo conto de fadas. Aprendi naquele momento uma nova palavra: “versão”. Descobri então que as histórias não precisavam ser contadas na integra e que logicamente poderíamos mudá-las ou adaptá-las ao nosso bel prazer. Comecei então a contar minhas histórias favoritas repletas de novos elementos. Descobri também como seria gostoso brincar de alterar os trágicos finais, misturar personagens e enredá-los em novas aventuras. A brincadeira ganhou força quando comecei a fazer teatro nas escolas por onde passei, inclusive, participando da encenação da livre “versão” do Maurício de Souza. Foi então que finalmente descobri que apesar da famosa história se passar na cidade italiana de Verona, havia sido escrito por um inglês: William Shakespeare.


ANTIGO CASTELO DOS CAPELLOS
Apesar de haver dúvidas quanto à fidedignidade dos fatos, inclusive sobre a real existência de um Romeu e uma Julieta, sabe-se que foi na Itália onde Shakespeare encontrou inspiração para alguns dos seus mais famosos textos. Verona torna-se então palco para uma história que envolvia a rivalidade de duas influentes e poderosas famílias, contada e recontada através das gerações, a qual o autor teve acesso durante período em que se manteve hospedado na cidade. Verdade ou não, isso é o que menos importa quando nos deparamos com as ruínas das muralhas que cercavam a antiga comuna italiana, localizada na região do Vêneto. Verona é sem sombras de dúvidas uma das cidades mais inspiradora e intrigante que já conheci. Banhada pelo Rio Adige, a cidade que em 89 d.C foi incorporada como colônia romana, teria sido fundada pelos antigos Celtas [povos indo-germânicos, saídos de centro-sul da Europa para se espalhar pela Espanha, Itália, Bretanha, Mar Negro e Ásia Menor]. Anexada ao Reino de Itália, em 1866, chegou a ostentar a supremacia artística de toda a Itália e hoje revela estrutura urbanística e arquitetura invejáveis. Considerada patrimônio da humanidade, conserva entre os grandes e históricos monumentos um anfiteatro romano, que lembra o Coliseu de Roma; uma Catedral gótica, construída no século X; a Igreja românica de São Zeno; a Ponte Scaligero, construída em 1354; o Castelo Vecchio; além de vários palácios, entre os quais se destaca o Palazzo Del Consiglio.


A JULIETA DE SHAKESPEARE
Suas ruas de pedras escuras parecem remontar a história, ou as histórias de períodos determinantes para a consolidação européia. De todas, apenas uma, toda em mármore, surge como uma espécie de caminho encantado para nos levar ao antigo Castelo dos Capellos, hoje sabiamente sinalizado como “Casa di Giulietta”. E tudo está lá. E logicamente tudo parece cenograficamente organizado para imortalizar sua mais celebre personalidade [ou melhor, personagem] e a obra. A ficção parece se tornar realidade. E mediante pagamento, em Euros, pode-se inclusive debruçar-se sobre o mais famoso balcão, onde se deu um dos mais célebre e copiados beijo da história da humanidade. Também estão lá as sacadas, as antigas janelas, o saguão e o pequeno jardim de onde Romeu teria convidado sua amada a escutar o canto da cotovia. É também lá, que entre arbustos encontra-se a estátua, em bronze, de Julieta Capulleto. Dizem que alisar os formosos seios da jovem donzela traz sorte no amor. E neste ponto, parece que os itlianos gostam mesmo de um alisado, pois que em Nápoles alisar o fucinho de um grande javali, também em bronze, traz sorte e fortuna. Assim, não é de se admirar que tanto os seios da Julieta quanto o focinho do javali sejam as partes mais lustrosas e brilhantes das referidas estátuas. E assim como em Florença, em Verona também se pode comprar cadeados como forma de prender o amado para sempre. Só que na Casa de Julieta, o mesmo deve ser colocado nas grades de um grande e velho portão que encerra uma das entradas do antigo castelo.


O ANFITEATRO ROMANO DE VERONA
Um dos fatos que mais chama a atenção do visitante é a quantidade de artistas locais que atuam nas ruas da cidade, principalmente em frente aos monumentos históricos. Aliás, é bom que se diga qua a Itália respira arte. De Roma a Pompéia, de Veneza a Florença, de Nápoles a Verona, a Itália é sem dúvida alguma um grande e precioso celeiro de grandes expressões artísitcas. Seja nas áreas de teatro, dança, música, pinturas, cinema, esculturas, arquitetura ou circo, a cidade vive da arte e para a arte. Conhecer as principais cidades italianas é antes de um simples passeio turistico, uma aula de cidadania e respeito pela história e cultura de seus povos. Dificil não se impressionar com nossa falta de visão estratégica, impossível não se chocar com o comprometimento de nossa educação, que nos aliena e nos torna relapsos com nosso próprio patrimonio cultural e artistico. Conhecer o velho continente é por fim, uma execelente oportunidade para perceber que sem arte não existe beleza. E sem beleza não há sentido na existencia de um povo. Sem cultura não existe história, e sem história não existe civilização, mas apenas babárie e selvageria. Pena que para nós brasileiros, 512 anos ainda se configurem como curto perído de tempo, insuficiente para nos depertar tal consciência.


NORMANDO VIANA EM VERONA

Próxima parada, Zurich – Suíça.


ANTIGA MURALHA DA COMUNA ITALIANA

RUINAS DE VERONA