quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo V

FLORENÇA - A CIDADE DE DAVI DE MICHELANGELO

Restaurant Le giubbe Rosse na Piazza della Signoria

Dia 24 de dezembro. Véspera de natal e nenhum sinal das festividades que tradicionalmente nos acostumamos a vivenciar. Não tinha como não estranhar a ausência dos seus principais símbolos comemorativos no país onde se encontra instalada a Cidade do Vaticano, base católica do cristianismo. Não havia árvores enfeitadas pelas cidades italianas que passamos. Estávamos em Roma, a caminho de Florença e o dia parecia comum, exceto pela intensa névoa que se espalhava a nossa frente. Mais uma vez o frio atormentaria nossos corpos. A temperatura beirava 0º e nossos pés pareciam molhados. Nosso ônibus agora deslizava cuidadosamente pelas estradas molhadas, mas não havia imprevistos. Aliás, as estradas da velha Europa mantêm-se conservadas e sinalizadas revelando que é possível a adequada aplicação do dinheiro público em benefício da própria sociedade. Do lado de fora os campos pareciam suados, com árvores frondosas gotejando orvalho. Uma breve parada e um café quente nos reanimariam os ânimos. Mas a grama estava endurecida, encoberta por uma camada fina de gelo. Era o primeiro sinal de que a neve estava próxima. Contudo, apesar do cenário belamente bucólico nada evidenciava alegria ou a agitação a que estamos acostumados durante o período natalino. As pessoas pareciam apressadas em suas compras corriqueiras e refeições comuns. Não havia panetones, perus, champagne. Ninguém parecia preocupado em levar para casa presentes ou pequenas lembrancinhas. Neste momento percebi como a diferença cultural causa certo estranhamento e incomodo.

Os Caminhos Gelados de Florença
Mais algum tempo na estrada e finalmente chegamos ao maior município da Região da Toscana, Florença, também conhecida como Firenze em italiano legítimo. A cidade foi durante muito tempo considerada a capital da moda, que tornou-se famosa por ser a terra natal de Dante Alighieri, autor do clássico da literatura universal “Divina Comédia”. Impossível andar pelas ruas de Florença e não se admirar com a arquitetura de seus tradicionais monumentos e casarios históricos. Considerada uma das cidades mais lindas do mundo, se destaca como berço do Renascimento. Sua origem remonta ao antigo povoado etrusco [natural da Etrúria, antiga Itália]. Foi durante séculos governada pelos Médicis, família a que pertenceu Cosme - o velho, que assumiu o poder em 1437. Protetor dos judeus, durante os anos de governo iniciou e estabeleceu longa relação com a comunidade judaica que se instalou na região. Entre os principais monumentos destacam-se a suntuosa Sinagoga de Florença, mais conhecida como Templo Maggiore, considerada uma das mais belas construções da Europa; a Catedral de Florença Santa Maria Del Fiore; o Palácio Velho, conhecido como Palazzo degli Uffizi; o Palácio Pitti; Palazzo Strozzi, a ponte velha, chamada de Ponte Vecchio e a igreja de Santa Maria Novella.


Afresco no Teto da Catedral de Florença

Na Catedral entra-se em silencio absoluto, assim como na Igreja de Santa Maria Novella, prédio histórico onde funcionava o antigo mercado público. No teto pinturas em afresco revela a grandiosidade e genialidade dos famosos pintores italianos. Neste sentido, vale destacar que as pinturas em afrescos são feitas em gesso ainda úmido, possibilitando maior aderência das tintas. Em cada rua, cada beco, canto ou recanto da cidade a arte se faz presente através das grandes obras dos mestres Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto, Botticelli, Rafael Sanzio, Donatello e muitos outros. De um lado da cidade, uma grande ponte em arco medieval atravessa o Rio Arno, que corta a cidade, interligando um antigo castelo real ao mosteiro histórico. Segundo a tradição local tal estratégia foi utilizada para que a realeza freqüentasse as missas dominicais sem precisar se misturar ao povo. Assim, a famosa ponte Vecchio estende-se elevada sobre parte da cidade. Ao longo do tempo a ponte ficou famosa por possuir grande quantidade de lojas, principalmente as ourivesarias e joalharias, ao longo de todo o tabuleiro. Outra tradição que se consolidou com o tempo foi o ato de se colocar cadeados no gradeamento em torno da Estátua de Benvenutto Cellini e jogar as chaves no rio como forma de ligar o amor dos amantes.



Estátua de Benvenutto Cellini
No pátio do mosteiro esculturas com preciosismo de detalhes se espalham pelos quatro cantos revelando a pompa e influencia da igreja católica sobre a cidade de origem dos papas Leão X, clemente VII, Clemente VIII, Leão XI, Urbano VIII e Clemente XII. Diante dos principais monumentos, a grande Piazza della Signoria [Praça da Senhoria], em frente ao Palazzo Vecchio, abre espaço a esculturas reconhecidas mundialmente pelo alto valor artistico, entre as quais, a famosa Davi, de Michelangelo. A estátua original é confeccionada em mármore e possui 5 metros e 15 centímetros. Escolhida como símbolo máximo da República de Florença, passou três anos, de 1501 a 1504 para ficar pronta. Na obra, Michelangelo se utilizou do realismo do corpo nu e do predomínio das linhas curvas para retratar Davi no momento anterior a batalha com Golias, ou seja, no momento em que se preparava para enfrentar uma força que todos julgavam impossível de ser vencida. A famosa estátua de Davi permaneceu instalada em frente ao Palazzo Vecchio, na Piazza della Signoria até 1873, até ser transferida para a galleria dell´Accademia onde se encontra atualmente.

Davi de Michelangelo

Pelo centro histórico lojas modernas se alinham a arquitetura local evidenciando o respeito à tradição de um povo. O frio parece molhar as velhas ruas em pedra e a densa névoa emprega a cidade um charme que combina perfeitamente com seu estilo. A noite parece mais longa durante o inverno de Florença, espalhando o breu sobre uma cidade cuidadosamente iluminada. Suas ruas são calmas e parece disertas neste período do ano, o que a certo modo provoca medo e hesitação para quem se acostumou com a violência urbana comum as metrópoles brasileiras.



Normando Viana na Ponte Vecchio - Florença


O ônibus nos leva ao hotel nos arredores de Florença. E lá o papai Noel também não apareceu. Nenhum sinal do natal na terra dos antigos e rigorosos Papas. Os sinos das tradicionais e históricas catedrais permaneceram silenciosos. As residências e lojas não estavam iluminadas a rigor. Nos canais de TV não havia grandes referencias e nem programações especiais. Não havia se quer os tradicionais e já manjados filmes de conteúdo bíblico. Apenas um dia como outro qualquer, fantástico e cheio de novidades para os turistas, mas comum aos italianos de modo geral. Confirmo então o que já sabia: o natal não é universal como pensei durante muitos anos. Reflito então sobre o porquê de não nos ensinarem as coisas de forma completa e verdadeira durante a infância. Nossa educação não nos permite escolhas e muito menos incentiva construções a partir de interpretações próprias sobre determinados fatos. Apesar de agradecidos pela possibilidade de me ausentar dos velhos e bregas shows natalinos da TV Globo e companhia, e logicamente, das lamuriosas e ultrapassadas canções dos famigerados e oportunistas cantores meramente capitalistas, pela primeira vez na vida o natal me fez falta. Não pela festa em si, e muito menos por seu significado religioso, mas pela distancia de nossa própria cultura. Acho que na verdade senti falta de um Brasil mais verdadeiro em dignidade e garantia de direitos, coisas comuns e aparentemente fundamentais na Europa, ainda que afundada em grande crise econômica.


O Poder Público a Serviço do Povo nas Ruas de Florença
 
Final de noite. Recepção vazia, restaurante do hotel fechado, silêncio absoluto. Sem sombras de dúvidas o trenó do Papai Noel não sobrevoou os ares de Florença naquela noite. Como todo bom brasileiro, hora de colocar o plano B em ação. Protegidos por casacos sobrepostos, devido à baixíssima temperatura local, apressadamente atravessamos as ruas rumo ao hotel mais próximo. Mesas cobertas por toalhas brancas proporcionavam sobriedade ao restaurante. Uma legítima pasta italiana acompanhada de vinho regional completaria nossa ceia. Conversas animadas sobre as novidades, impressões pessoais e diferenças culturais nos levariam aos risos. Porém, naquela noite de um natal inesquecível descobriria nos olhos do meu companheiro de viagem que a saudade brasileira também se torna luminosamente verde quando estamos longe. Enquanto isso, na mesa ao lado uma família não latina jantava indiferente. Mesmo assim, para não perder o hábito ou para nos sentir mais confortáveis desejamos Feliz Natal aos poucos funcionários dos hotéis e dormimos em paz.



A Saudade Brasileira é Luminosamente verde



Próxima parada, Veneza!


Rio Arno Corta a Cidade de Florença

A Fria Manhã de Florença

Hécules e Caco - Obra de Baccio Bandenelli
Frente do Palazzo Vecchio






sábado, 14 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo IV


Nápoles - Itália

NÁPOLES: TRADIÇÃO EM PIZZAS, VINHOS, PAPAS E MÁFIA

Deixamos a tranquilidade de Pompéia e seguimos direto para o centro da máfia italiana. Nápoles é uma cidade de origem grega, que foi conquistada pelos romanos durante as guerras travadas no século IV a.C. invadida e dominada várias vezes durante os séculos seguintes, apenas em 1861 foi anexada ao reino da Itália. Nos dias atuais é considerada a terceira maior cidade italiana, possuindo uma população estimada em mais de cinco milhões de habitantes. Mundialmente conhecida como a terra da pizza, tem também a reputação de cidade mais violenta e perigosa da Europa devido à taxa de pobreza que atinge 32% da população, além das elevadas taxas de criminalidade e desemprego. Devido às guerras entre os clãs da máfia local, a Camorra, Nápoles tem registrado anualmente centenas de mortes e cenas de violência dignas dos filmes de cinema, no melhor estilo “O Poderoso Chefão”.

Centro Histórico de Nápoles
Andar pelas ruas da cidade se constitui um verdadeiro desafio para o estrangeiro desavisado. O transito no centro é extremamente congestionado devido ao grande fluxo de veículos em ruas estreitas. Além de atenção redobrada será preciso muita destreza por parte do condutor a fim de evitar colisões e acidentes. Na verdade o transito de Nápoles parece se constitui em uma terra sem lei. Estaciona-se em qualquer canto, calçadas, ruas movimentadas, locais públicos ou mesmo nas faixas para pedestres. Neste sentido não será raro encontrar veículos abandonados em avenidas movimentas, formando filas duplas e/ou em sentido contrário. A agitação percebida parece nos sinalizar que os napolitanos vivem com pressa. Em determinas situações as calçadas perecem se constitui como grandes locais de perigo, uma vez que comumente também servem como vias para os veículos. O pouco tempo em Nápoles não fundamentaria uma maior análise sobre o critério educação, desta forma, prefiro dizer que os nativos apresentam uma cultura singular e própria, que logicamente contraria conceitos e regras universais.


Vesúvio e as Cidades de Pompéia e Herculano

Do ponto mais alto da cidade, que se chega depois de horas devido às loucuras do transito local, avista-se o Golfo de Nápoles. Ao longe surgem as cidades de Herculano e Pompéia que se estendem aos pés do grandioso e emblemático vulcão Vesúvio que parece se abrir aos céus. Repleta de monumentos históricos a cidade parece tranquila, apesar dos constantes avisos sobre a ação dos “carteiristas”. A terra dos papas Bonifácio V, Urbano VI, Bonifácio IX, Paulo IV e Inocêncio XII revela-se como grande celeiro da diversidade e segregação étnica e cultural. Neste aspecto, o centro comercial mostra-se como excelente exemplo, onde famosas lojas competem com camelôs, normalmente imigrantes ou clandestinos que encontram nas ruas a melhor forma para garantir a sobrevivência. Das ruas centrais derivam vários becos por onde pequenas lojas se espalham com grande variedade de artigos. A impressão que se tem é que em Nápoles tudo se compra e tudo se vende. Assim, o comercio também parece definir as divisões de classe, onde os brancos estão nas lojas de departamentos ou em pequenos estabelecimentos apropriadamente aquecidos e confortáveis, enquanto que aos negros restam as ruas extremamente frias e desprotegidas.
 
Centro Comercial
Não se passa em Nápoles sem experimentar suas tradicionais pizzas. Pequenos e aconchegantes restaurantes se espalham pelas ruas. No Totó Pizzeria Sapore, por exemplo, a preços bem modestos pode-se provar da original culinária italiana. Para os mais exigentes aconselha-se  desconsiderar o prato de entrada, pequenos bolinhos de queijo acompanhados de pequenos cubos de frango cozido, enrolados em um grande cone de papel madeira. A primazia fica realmente por conta das pizzas. Enormes, a ponto de transbordar nos pratos, em nada se comparam com as nossas pizzas brasileiras. De massa fina e crocante, recheadas com molho de tomate e especiarias local, deixam sem dúvida alguma a boca cheia d’água. Para acompanhar, um bom e tradicional vinho branco, ou um capuchino quente nos bangalôs externos [logicamente protegidos do frio pelos famosos aquecedores a gás] completará a cena que com certeza se tornará inesquecível aos mais românticos.

Pizzeria Totó - Centro de Nápoles




O Romantismo da Tradição

A Impressionante Magnitude do Vesúvio


Próxima parada, Florença!








quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - Capítulo III




POMPÉIA – A HISTÓRICA CIDADE ENGOLIDA PELO VESÚVIO

O dia 23 de dezembro amanheceu extremamente frio. Apesar do aquecedor o quarto do hotel parecia úmido. Da janela avistava-se um bosque de pinheiros que pareciam cristalizados em meio à névoa esbranquiçada. Sem sombra de dúvidas era um sinal do que iríamos enfrentar pela frente. Tomar banho na Europa é talvez uma das maiores dificuldades enfrentadas por turistas em primeira viagem. Confesso não ser fácil esquecer nossos tradicionais chuveiros e substituí-los por complicadas duchas que deverão percorrer todo o corpo. Dominar os mecanismos que controlam as saídas de água fria e quente, a fim de transformar o banho em um ato prazeroso, dependendo da variação de temperatura diária, com certeza se tornará uma ação lenta e cansativa.

NORMANDO VIANA EM POMPÉIA - ITÁLIA
Escolher o que vesti será outra difícil tarefa. Uma camiseta de malha com certeza será insuficiente para manter o corpo aquecido. Duas camisetas sobrepostas talvez, mas só se auxiliadas por uma camisa ou casaco de malha grossa, reforçados por mais um casado de frio. Uma boa calça jeans só se tornará agradável se for vestida sobre uma calça de malha, tipo segunda pele. Isso sem esquecer-se do reforço nas meias, antes de calçar os sapatos fechados, de preferência de couro, com solado resistente. Adicione ao vestuário uma touca de lã ou de material equivalente, um par de luvas e um cachecol. Olhe-se no espelho e tente não se achar estranho [principalmente quando tentar os primeiros movimentos].

Não  só  isso  nos deixa meio consfusos  e surpresos ao mesmo tempo. Melhor esquecer os velhos hábitos e se abrir às novas experiências. Seu café da manhã será substituído pelo “pequeno almoço” local, que logicamente irá variar de região para região, e consequentemente, de hotel para hotel. Se não quiser perder o humor, melhor esquecer o tradicional pão francês torrado na manteiga e do nosso famoso café com leite. A viagem a Europa é antes de tudo uma maravilhosa oportunidade para as decepções gastronômicas. Correr para o ônibus de turismo e apelar para que imediatamente se fechem as portas é sempre uma excelente opção quando se busca aconchego, principalmente em locais aonde a temperatura pode chegar a menos dois graus centígrados. Assim é o inverno da região do Golfo de Nápoles onde se encontram os atuais municípios de Pompéia e Herculano, arrasados pelo Vesúvio, e nosso destino.
VISTA EXTERNA DE POMPÉIA

Para  entendermos  melhor   a  história  de Pompéia será preciso voltar no tempo mais uma vez. Tão antiga quanto à cidade de Roma, tem suas origens no século VIII a.C. quando os Oschi, primeiros povos itálicos chegaram à região e fundaram o primeiro agregado urbano. Pela localização estratégica, Pompéia tornou-se passagem obrigatória entre o sul e o norte, tanto por mar quanto por terra. Instalada aos pés do grande vulcão Vesúvio, foi totalmente destruída por uma das maiores catástrofes natural já registrada pela humanidade. Desenvolvida e cobiçada por potentes estados vizinhos, a cidade desapareceu debaixo das grandes quantidades de larvas expelidas pelo vulcão no ano de 79 d.C.. Mil e seiscentos anos depois Pompéia emerge das obscuras profundezas para recontar sua saga e história.
GRANDE FÓRO - VISTA DO VULCÃO VESÚVIO
Pela  estrada  que  corta a  região, ao longe avista-se o imponente Vesúvio, único vulcão no continente europeu a ter entrado em atividade nos últimos cem anos. A erupção de 79 d.C. é considerada a mais catastrófica de todos os tempos, espalhando uma nuvem de rochas, cinzas e fumaça tóxica que atingiram mais de 30 km de altura. Estima-se que a proporção e força da larva tenha chegado a um milhão e meio de toneladas por segundo, liberando uma quantidade de energia térmica milhões de vezes maior que a bomba atômica que atingiu Hiroshima, durante a II Guerra Mundial. As ondas de larvas com temperatura acima dos 700 ºC provocaram a morte instantânea de mais de 16.000 habitantes das duas cidades. A força de explosão provocou maremotos e tsunamis que varreram as duas cidades do mapa e as transformaram em ruínas. Em seguida foram encobertas por camadas sobrepostas de lama e cinza. Observar as expressões dos antigos moradores, atualmente em moldes de gesso e expostos no sitio arqueológico, é de certo modo experimentar o horror da tragédia. Impossível não se impressionar com a conservação dos corpos humanos e de animais, petrificados em situações corriqueiras. Mãos sobre os rostos, posições de encolhimento e expressões de pânico estampam o horror de um cenário apocalíptico.
  
Iniciamos nossa jornada pelas ruínas sob a orientação do guia local. O frio parece faca afiada e corta a pele. As extremidades do corpo parecem congelar com as rajadas de vento. Uns duzentos metros de caminhada e chegamos a “Porta Marina”, antiga e principal entrada da cidade, dotada de dois portões – um parara pedestre e outro para animais e veículos que traziam do mar peixe e sal. Próximo encontra-se a “Villa Suburbana de Porta Marina”, incrustada na muralha, rica habitação da época romana. Ao lado direito da porta avista-se o “Templo de Vênus”, deusa protetora de Pompéia. Seguindo a estrada da Marina encontramos a chamada “Casa de Rômulo e Remo”. Em seguida, passamos pelo “Templo de Apolo”, pela “Basílica” e finalmente atingimos o grande “Foro”, centro da vida política, econômica e religiosa de Pompéia. Ao sul do Foro avista-se as edificações destinadas a vida pública, incluindo a grande “Assembléia” onde se realizavam as funções eleitorais.

A cidade era dividida por regiões, compostas por vilas e pelas quais se davam as divisões de classe social. Pela entrada principal da “Via da Abundancia” encontram-se as “Termas Stabianas”, maiores, mais antigas e mais bem conservadas, estas eram compostas por casas de banho térmico para homens e mulheres. Uma das principais atrações é o “Teatro Grande” com capacidade para mais de 5.000 pessoas sentadas. Os templos de deuses surgem magníficos em vários pontos da cidade. “O templo de Ìsis”, ao lado do ginásio samnítico, destinava-se ao culto exotérico da deusa da trindade egípcia; o “Templo de Jupiter Meiichios”, na Via de Stabia, destinado ao culto de Zeus Meiichios originário da Sicília grega, revelando a influencia cultural dos vários povos que invadiram, conquistaram e governaram Pompéia antes do ano 310 a.C. quando foi dominada e incorporada ao estado romano. Outro aspecto que chama a atenção é a instalação dos prostíbulos, situados nas vilas mais afastadas do grande Foro. A prostituição era praticada por homens e mulheres, em casarios específicos, identificados por um falo instalado ao auto da porta principal. De certa forma, observa-se que a prostituição em si se organizava nos moldes como se apresenta na atualidade, ou seja, exercida de forma espontânea e consciente, ou através dos agenciadores, donos dos estabelecimentos privados.

Andar  por  suas  ruas  de pedras, repletas de casarios e lojas comerciais é sem dúvida alguma uma oportunidade para observar o inicio da estruturação dos grandes centros urbanos, onde comercio, cultura, religiosidade e política apresentavam-se em espaços distintos, demarcando hierarquias, poderes e status social. Acima de tudo é uma grande chance para se entender as influencias romanas sobre as origens dos modelos e sistemas políticos, bem como sobre a cultura das várias civilizações ocidentais, incluindo a nossa. Assim, a cidade fênix, a Pompéia ressurgida das cinzas, representa muito mais que um tesouro italiano, mas um patrimônio mundial por remontar parte da história da humanidade. Como diria o grande filósofo, conhecer a história é conhecer-se a si mesmo.  

Próxima Parada, Cidade de Nápoles.




CASARIO DE POMPEÍA


GRANDE TEATRO DOS NOBRES






AOS PÉS DO VESÚVIO

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


ESTREITAS RUAS DE POMPÉIA
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


ANTIGO PRÓSTIBULO MASCULINO

CAMA DE UM PROSTÍBULO
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


CORPO ENCONTRADO NAS RUÍNAS

CORPO ENCONTRADO NAS RUÍNAS



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

VIAGEM AO VELHO MUNDO EM 20 DIAS - CAPITULO II

RUÍNAS DA ROMA ANTIGA


ROMA - UMA CIDADE MILENAR.

Eram onze e meia da noite, horário local, quando partimos do Recife rumo ao velho continente. Oito horas depois desembarcamos no aeroporto de Lisboa, em Portugal. Hora de apressar o relógio. Já eram dez e trinta da manhã do dia 21 de dezembro. Algum tempo de espera e mais três horas de vôo para chegar a Roma, capital italiana. O frio estonteante, o cansaço e a diferença de fuso horário causam certa confusão. Saio sozinho em busca de uma área externa para acender um cigarro. O ar gélido da noite parece me rasgar os pulmões. Olho em volta e sinalizações indecifráveis surgem a minha frente. Estava em um mundo totalmente desconhecido e me sentia desorientado diante de tanta informação as quais não conseguia decifrar. Senti-me de imediato um analfabeto vagando pelas páginas de um grande romance. A sensação de medo me invade e faz a cabeça girar. Estava bêbado sem se quer ter ingerido uma dose de álcool. Milhares de pessoas passam por mim falando idiomas diferentes. Era impossível, de imediato, identificar algo ou alguém conhecido. Volto ao saguão do aeroporto e reencontro meu companheiro de aventura, certamente bem mais experiente e tranquilo que eu. Depois de alguns minutos visualizo um homem segurando um pequeno cartaz onde constam nossos sobrenomes. O profissional contratado pela agência de turismo não consegue compreender o que falo. De forma meio irracional recorro a gestos quase grotescos para me fazer entender. Se em brincadeiras as mímicas se tornam engraçadas, em situações de sufoco tornam-se constrangedoras. E ainda, se a sensação de não saber ler parece terrível demais, experimente não conseguir se comunicar com alguém que tem a solução para seus problemas.

CENTRO HISTÓRICO DE ROMA
Sem dúvidas, essas sensações causarão sentimentos de inadequação e desolação nunca experimentados antes. Senti-me estranho. Um pássaro fora do ninho. Não havia referencias pessoais e naquele momento me vi dependente de alguém para tomar decisões e conseguir me movimentar na cidade. A experiência apesar de incômoda me trouxe posteriormente a reflexão sobre as dificuldades sentidas por milhares de brasileiros que deixaram ou deixam os sertões e/ou interiores do país em busca de melhores condições nas grandes cidades. Apesar das diferenças proporcionais acredito que as sensações em sua totalidade são as mesmas. Naquele momento eu era um graduado analfabeto, ou mesmo um analfabeto funcional em uma terra totalmente estranha onde tudo parecia maior que eu. O nervosismo diante do desconhecido dispara mecanismos de defesa que nos deixa alerta a tudo e a todos. Os sentidos se atiçam, a pele se eriça e o estresse nos mantém em prontidão aos potenciais perigos oferecidos por um cenário que parece selvagem e perigoso. Assim se deu meu primeiro contato com Roma, cidade milenar e histórica cujas origens fundam-se na lenda dos gêmeos amamentados por uma grande loba selvagem. Roma respira histórias, e neste sentido é preciso voltar no tempo em busca de sentido para a construção e consolidação de uma cultura tão rica e intrigante. Desta forma, aventuro-me numa livre narrativa que em momento algum pretende ser entendida como fidedigno resgate histórico, mas apenas como uma despretensiosa forma de favorecer a leitura. Inicio então uma costura de fragmentos derivados de várias fontes, das quais me absterei da obrigatoriedade de revelá-las.

Seguindo a lenda tradicional, muitos séculos antes de Cristo uma nova cidade chamada Alba Longa foi fundada por um homem chamado Ascânio, que se tornou seu primeiro rei. Mais de quatrocentos anos depois, Numitor, herdeiro legítimo do décimo segundo rei é deposto pelo próprio irmão Amúlio. Este, para garantir o poder assassina seu sobrinho e oferece sua sobrinha virgem a deusa Vesta. Transformada em sacerdotisa, à Reia Sílvia é imposta a castidade. Contrariando seu destino a jovem mulher engravida e alega ter sido seduzida pelo deus romano da guerra Marte, dando a luz aos gêmeos: Rômulo e Remo. Temeroso diante da possível vingança dos filhos de um deus, Amúlio aprisiona Reia em um calabouço e ordena a um cervo que execute seus filhos. Contrário as ordens do rei o servo coloca os bebês em um cesto de vime e os abandona nas águas do Rio Tibre. Uma grande enchente os arrasta pra muito longe da cidade empurrando-os para as margens do Palatino. O choro das crianças atrai uma loba selvagem que acabara de perder suas crias e que os leva para o bosque. Durante anos o animal os amamenta enquanto os lambe com sua longa língua. Encontrados por um pastor de ovelhas chamado Fáustulo, os meninos passam a ser criados por sua esposa Aca Laurência.
CENTRO HISTÓRICO DE ROMA

Os gêmeos tornam-se fortes e ágeis caçadores de animais selvagens e junto aos pastores da região atacam os salteadores de passagem. Preso e acusado de roubo, Remo é levado ao rei Amúlio. Ao saber de suas origens, Rômulo vai até Alba Longa para libertar o irmão. Em luta sangrenta mata o rei. Vitorioso devolve o reino ao Avô Numitor e devota as honras a Reia, sua mãe legítima. Com o irmão volta ao local onde foram abandonados e juntos decidem fundar uma cidade. As divergências entre ambos começam. Rômulo pretende nomear a cidade de Roma, enquanto que Remo sonha em chamá-la de Remora. Apesar das várias versões para a história, uma delas descreve o assassinato de Remo, golpeado na cabeça por uma pedra lançada por Rômulo, que se apossa sozinho do poder. Assim, em 753 a.C. surge então uma nova cidade que recebe o nome de seu fundador. Com o tempo, de pequeno povoado Roma tornar-se-ia um dos maiores e mais importantes impérios da antiguidade.
 
Caminhar pelas belas e organizadas ruas da cidade é como viajar no tempo. Casarios, palácios, belas arquiteturas e monumentos remontam épocas distantes. Existe uma ebulição de informações que parece exigir nossa atenção. Um descuido e algo importante se perde. Belas esculturas parecem nos acompanhar com olhares incisivos, ora inquisitivos, ora meigos e piedosos. São os olhares de Roma [alguém já prestou atenção aos olhos do Recife?]. São os gestos e traços de uma cidade que parece querer nos falar algo mais sobre nós mesmos. Uma tarde em Roma nos revela o quanto somos desrespeitosos com nossa história e tradição. A cidade em si parece um grande quebra cabeças com partes espalhadas aos quatro cantos. Impossível para um leigo como eu entender como ou por onde tudo começa, e principalmente se termina um dia, simplesmente por que a cidade é viva. A história nos conta que a civilização romana tem origem na união dos povos gregos, etruscos [originários da Itália antiga] e italiotas [populações primitivas da Itália central – latinos, úmbrios, samnitas, etc] que passaram a habitar a península itálica e desenvolveram uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris, do período de sua fundação até o ano de 509 a.C.
CENTRO DE ROMA

O senado então ganha grande poder originando um período republicano que se alastrará até o ano de 27 a.C. Este período é marcado pelas lutas dos plebeus que passam a reivindicar maior participação política através da participação popular no Consulado. Com a Lei Licínia [367 a.C.] o Consulado passa a ser constituído por um patrício e um plebeu, e põe fim a escravidão por dívida, ainda que apenas para os cidadãos romanos. Após o domínio de toda a península itálica os romanos partem para a conquista de outros territórios garantindo a supremacia no Mar Mediterrâneo. Ampliando suas conquistas, domina Cartago, Grécia, Egito, Macedônia, Gália, Germânia, Trácia, Síria e a Palestina. Enquanto alguns desses povos eram escravizados, outros passavam a pagar altos impostos ao império romano. Estas importantes conquistas não só fortaleceram o império romano como também foram a principal responsável por seu declínio. Com o crescimento urbano surgiram os problemas sociais, como desempregos e migrações da zona rural para os grandes centros em busca de melhores condições de vida [interessante pensar que apesar de antigo tal fato ainda nos é tão atual no Brasil].

CIDADE DO VATICANO - ROMA
Receando revolta por parte do grande contingente de desempregados o império adota como estratégia política a prática do “Pão e Circo”, que consistia em oferecer alimentação e diversão ao povo como forma de amenizar o sofrimento e a revolta diante da suntuosidade e opulência dos seus governadores [qualquer semelhança com nossa cultura política não será mera coincidência]. Assim, diariamente eram realizadas lutas de gladiadores nos grandes estádios, sendo o mais famoso entre estes o Coliseu de Roma. E estar no Coliseu é revisitar os feitos faraônicos. Cada pedra revela a magnitude de uma arquitetura e engenharia extremamente avançada. Das aberturas se visualiza as antigas ruínas, e sobre tudo a um romântico como eu seria impossível não visualizar antigos personagens caminhando por ruas e espaços. De repente os corredores que se escondem abaixo da arena, formando labirintos, ficam repletos de movimentos. Um leão corre apressado diante de uma platéia ensandecida pela carnificina. É o espetáculo do espetáculo a que nos acostumamos. A forma circular milimetricamente calculada converge os olhares dos pobres espectadores para tribuna dos imperadores. Destaca-se um sistema político pautado na divisão de classes. O espetáculo não é para os pobres, mas sobre eles próprios. Única e exclusivamente para o deleite dos que planam seus olhares sobre eles.

RUÍNAS DA ROMA ANTIGA
Seguindo ainda a história oficial, descobre-se que o império registra sua maior crise econômica e política devido à corrupção durante o século III. Os enormes gastos para manter o luxo dos imperadores e da classe burguesa, bem como os elevados investimentos necessários a manutenção dos exércitos forçavam o recolhimento de maiores impostos sufocando a população pobre [será que não herdamos isso também?]. O fim da escravidão, motivado pelo enfraquecimento das conquistas territoriais, provocou significativa queda da produção agrícola. O pagamento de tributos por parte das províncias também sofreu grande abalo acelerando e acentuando a crise econômica. Com os exércitos enfraquecidos abriam-se as fronteiras. Os bárbaros forçavam a penetração pelo norte. Como nova estratégia, no ano de 395 d.C. o império romano foi dividido em dois – império ocidental, com capital em Roma; e, império oriental, com capital em Constantinopla. Menos de cem anos depois o império ocidental é invadido pelos povos que os romanos classificavam como bárbaros: visigodos [oriundos do Oeste europeu], vândalos [antigos germânicos], suevos [povos germânicos], saxões [da antiga Saxônia, Alemanha], ostrogodos [austríacos], hunos [originários da Ásia central], pondo fim à era da antiguidade e dando inicio a Idade Média, quando o latim se espalha pelo velho continente dando origem ao português, ao espanhol, ao italiano e ao francês.

Sem sombra de dúvidas o legado a humanidade deixado pela civilização romana é incalculável. Assim como a língua original, o latim; o direito romano influenciou e influencia até os dias atuais as culturas ocidentais. De forma mais ampla não podemos esquecer as contribuições para a arquitetura, para as artes plásticas, para a filosofia e a literatura. Foi com os romanos que aprendemos que mitologia se consolida como forma explicativa para o que a ciência não consegue explicar [alguma semelhança?].

Próxima parada: ruínas da cidade de Pompéia!

PEDRAS DE ROMA ANTIGA




domingo, 8 de janeiro de 2012






“VIAGEM AO VELHO CONTINENTE EM 20 DIAS”

Ainda em 2011 resolvi enfrentar um dos maiores desafios de minha vida, atravessar o Oceano Atlântico rumo ao velho continente. Viagem marcada, sofrimento antecipado. Teria pelo menos seis meses para me preparar e rever velhos medos. Porém o atribulado das situações corriqueiras fez o tempo correr e um mês antes de embarcar a distonia já sinalizava a crescente ansiedade que me atormentaria durante as oito horas de vôo. Nestes momentos arrumar a mala torna-se sempre difícil, porém ajuda a aliviar a tensão. Cada peça de roupa sinaliza uma despedida. Mas na verdade não haveria do que, ou de quem me despedi. Eu estava só. É nessas horas que a ausência de um outro, seja este parente ou amigo, se acentua e incomoda. Não ter em determinados momentos com quem dividir sonhos, ansiedades ou receios, não receber um abraço ou mesmo votos de boa viagem é talvez a mais difícil situação quando se reside sozinho. Porém a vida tem constantemente me ensinado que somos sós em essência, e que acima de tudo somos livres para percorrer mundos e desafiar nossos próprios limites. Assim as possibilidades de novas experiências tem se tornado, a certo modo, um lema que venho adotando enquanto conduta de vida. E neste sentido, vencer os sentimentos de grandes inquietações diante das noções de perigos, reais ou imaginários, que sempre me acompanham em viagens longas torna-se sem dúvida um importante ponto de partida para mim.

CIDADE DE POMPÉIA - ITÁLIA
A viagem a Europa se configurou, entre outras coisas, como um grande desafio vencido. Mais que isso, voltar ao velho mundo foi sem dúvida uma grande oportunidade para melhor entender o momento atual que vivemos, seja ele político, econômico ou histórico. Uma espécie de retorno ao passado, as origens da civilização. A Europa é sem sombra de dúvidas um museu a céu aberto. Berço da civilização, da arte e da cultura. Percorrer as milenares ruas de Roma e redescobri lendas que fundaram tradições foi sem dúvida uma experiência impar. Visitar o interior do Coliseu, construído entre 70 e 90 d.C. e hoje considerado uma das “sete maravilhas do mundo moderno”, revela a grandiosidade da engenharia e arquitetura romana. De imediato a grandiosidade da cidade e de seus monumentos nos causa certa desorientação, contudo, aos poucos, ruínas espalhadas pelo centro histórico, a Cidade do Vaticano, as famosas esculturas, antigas pizzarias e os tradicionais cafés das esquinas começam a surgir como “velhas novidades” conhecidas. Para mim tudo parecia novo e conhecido ao mesmo tempo. Estava diante de monumentos só antes vistos em fotografias, reportagens ou livros de estudos. Era impossível não constatar que cada pedra de Roma parece remontar histórias. Como uma espécie de quebra-cabeças com os quais construí castelos durante a infância. E ali estavam eles, os antigos castelos dos contos de fada, os monumentos bíblicos, os personagens imortais que aprendi a admirar durante as aulas. Mais difícil ainda é não se encantar com as ruas estreitas que levam a “La Fontana di Trevi”. Majestosamente situada num cruzamento de três estradas a obra de arte por si justifica por que é considerada a maior e mais ambiciosa construção de fontes barrocas da Itália.

NÁPOLES - ITÁLIA
Seguindo ao sul da Itália, nos arredores de Nápoles, chega-se ao sítio arqueológico de Pompéia, antiga cidade romana que no ano 79 d.C desapareceu sobre as cinzas do vulcão Vesúvio. Pelas estreitas ruas cuidadosamente reconstruídas 2.000 anos de história se levantam diante de nossos olhos. Cada detalhe ou objeto evidencia uma civilização extremamente avançada para época. A antiga cidade era divida em regiões salientando a divisão de classe social. Em alguns momentos somos pegos a imaginar a movimentação cotidiana de seus antigos habitantes devido à perfeição empregada na reconstituição dos casarios, termas, praças e centros comerciais. Depois de conhecer Pompéia, seguir para o centro de Nápoles é viajar no tempo de volta ao futuro. A cidade é repleta de ruas e monumentos históricos em bom estado de conservação. No bairro alto avistasse o Vesúvio e entende-se sua magnitude. Devido ao inverno nuvens pesadas e escuras que encobrem seu pico surgem como prenuncio de uma nova catástrofe esperada há séculos. O velho vulcão adormecido parece esticar-se aos céus impondo respeito e ao mesmo tempo em que amedronta também causa admiração.

COLISEU DE ROMA - ITÁLIA
A cidade de Florença, capital e maior centro urbano da província de Toscana, foi por muito tempo considerada a capital da moda. Destaca-se como berço do Renascimento italiano possuindo um memorável acervo que inclui obras de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli e Donatello, entre outros. Cortada pelo rio Arno, cada canto ou recanto da antiga cidade do século XV revela encanto e magia. Já na região do Vêneto, no nordeste da Itália encontramos Veneza. Mundialmente famosa por seus canais, destaca-se pelo romantismo dos passeios de gôndolas. Construída sobre um arquipélago formado por 118 ilhas, possui 177 canais apertados e de águas gélidas que interligam bairros onde se encontram velhos e históricos casarios, restaurantes e hotéis. Suas 400 pontes servem de cenário as belas paisagens e conduzem a Piazza San Marco onde se encontra a Basílica de di San Marco, a Torre do Relógio e o Museu Correr. Uma noite em Veneza, sentado diante do mar e aquecido pelos tradicionais lampiões a gás do Café Gabbiano é sem dúvida uma cena inesquecível. Ainda na mesma região encontra-se a rica cidade de Verona, uma das mais prósperas do norte italiano. Cercada pelo Rio Adige possui riquíssimo acervo cultural que inclui belíssimas muralhas, um anfiteatro romano que em muito lembra o Coliseu, um castelo medieval, além de igrejas e palácios seculares. No centro comercial a única rua em mármores leva a propriedade dos Cappellos, antiga e importante família local. Construída no século XIII, nos dias atuais é identificada como a casa de Julieta Capuleto, personagem fictício imortalizado pela obras de Shakespeare.

ALPES SUÍÇOS
Deixamos Verona no inicio da manhã e seguimos pelo norte da Itália rumo a Zurich, não sem antes atravessar os quilométricos Alpes Suíços. O frio aumenta à medida que se escala os mais de 4.500 metros de altitude. Correr na neve e afundar no gelo torna-se de fato uma experiência prazerosa e inesquecível. O cenário formado por imensas montanhas geladas, florestas de pinheiros e casarios com telhados brancos nos traz a nítida certeza que o natal até existe. Pelo menos o comercializado no mundo ocidental. Impossível não identificar os famosos postais onde o papai Noel parece deslizar em seu trenó puxado por ágeis renas aveludadas. Depois horas atravessando montanhas chega-se a Zurich, capital da Suíça. Famosa pela produção de leite e chocolates a cidade revela de imediato que a precisão vai além dos seus tradicionais relógios. Cortada pelo rio Limmat, a cidade salienta uma bela e organizada mistura de construções modernas e antigas que margeiam a grande lagoa formada pelas águas que descem as montanhas durante o verão. A noite suíça é extremamente fria e as ruas parecem desertas. Calçadas se confundem com ruas cortadas por trilhos por onde correm os famosos bondes. A riqueza é estampada nas vitrines bem iluminadas e na estrutura arquitetônica das estreitas ruas que mais parecem conduzir a lugares misteriosos. De modo geral a cidade parece um lugar onde tudo funciona de forma previamente planejada. Acordar em Zurich é despertar para uma realidade nunca antes vista, pelo menos para um marinheiro de primeira viagem como eu. Suas estradas parecem tapetes que se escondem por longos túneis que atravessam montanhas. Um deles com mais de 15 km causam espanto e certo desconforto claustrofóbico. O dia parece mais claro e pelas janelas protegidas do ônibus planícies e campos encantados vão desaparecendo rapidamente diante dos olhos.

MUSEU DO LOUVRE - PARIS/FRANÇA
A França é sem dúvida a França, e neste sentido tornam-se dispensáveis descrições ou apresentações. Num bairro de subúrbio chamado Màrie de Montreuil onde nos hospedamos salienta-se a imigração, com grande destaque para os negros nativos das colônias francesas. As ruas pacatas parecem revelar certa amistosidade entre os habitantes, contudo, os metrôs e prédios menos modernos evidenciam diferenças sociais. Como toda grande metrópole Paris é um verdadeiro centro de diferenças, sejam étnicas, religiosas, sociais ou econômicas. A cidade cortada pelo Rio Sena encanta pela beleza natural e patrimônio histórico. A Torre Eiffel destaca-se pela estrutura metálica vista de qualquer ponto da cidade. O Arco do Triunfo, ao final da Champs Elysées, mais rico e importante centro comercial da Europa, revela toda a magnitude da cidade luz. Não se conhece Paris sem se visitar o Museu do Louvre, onde extremamente protegida encontra-se a famosa Gioconda, de Leonardo da Vinci. Seu olhar enigmático e o aparente e sarcástico famoso sorriso parecem não apenas revelar mistérios de uma época, mas também os encantos e segredos da cidade mais famosa do mundo.

LONDRES - REINO UNIDO
Fundada pelos romanos ao norte do rio Tâmisa, em 43 d.C, a antiga Londinium durante séculos sofreu invasões e influências díspares e hoje desponta como maior e principal centro financeiro do mundo. A formalidade londrina é claramente estampada pela troca da guarda real, em frente ao Palácio de Buckingham, onde milhões de pessoas se atropelam diariamente. Cidade de belas e bem cuidadas praças, como o St. James´s Park, ostenta luxo e riqueza em monumentos e prédios que remontam as antigas realezas. O famoso cartão postal, o Big Bem, apesar do charme original me pareceu menos pomposo. De modo geral, se Roma inspira saudosismo histórico e Paris o charme e a elegância clássica, Londres ao contrário revela-se fria e distante. Diria ao certo que de todas as cidades que visitei a capital do Reino Unido certamente foi e será a que menos trará saudades.

VENEZA - ITÁLIA
Depois de quinze dias de viagem finalmente chegamos a Lisboa. A capital portuguesa é sem dúvida nenhuma mais próxima de nossa realidade. A Praça Marquês do Pombal, personagem responsável pela reconstrução da cidade após o grande terremoto que a reduziu a ruínas, parece revelar-se como palco de reivindicações e manifestos políticos. Ponto de convergência para grandes avenidas situa-se próximo ao Parque Eduardo VII que se interliga com o Parque Amália Rodrigues, famosa cantora de fado. No centro cultural de Belém a cultura portuguesa é exaltada, revelando o apreço de nossos compatriotas pela história e pela arte. Além dos 08 museus encontram-se no local o Padrão dos Descobrimentos, de onde partiram as caravelas de Cabral rumo ao Brasil, além da Torre de Belém, antigo castelo. A Praça do Comércio, de frente ao Rio Tejo revela uma das mais belas vistas panorâmicas da cidade. À noite no Baixo-Chiado, cidade alta, é romântica e melancólica ao mesmo tempo. Imperdível é o passeio de bonde ao Castelo de São Jorge, onde restaurantes charmosos e aconchegantes se espalham pelas ladeiras de pedras antigas e onde se saboreia o bom e tradicional bacalhau e as famosas sardinhas portuguesas regados ao aceite de oliva.

LISBOA - PORTUGAL
Impossível seria descrever tantas e tão diversificadas culturas em tão poucas linhas. Diria mesmo que resumir minhas impressões sobre cidades tão maravilhosas seria desrespeitoso com os legados deixados a humanidade. Partindo dessa perspectiva inicio então uma ampla descrição de minha “viagem ao velho mundo em 20 dias”. Antemão, saliento que meu intuito não se restringe ou objetiva a simples descrição de pontos turísticos, mas de forma mais pretensiosa, uma reflexão sobre as diferenças e influências destas culturas sobre a vida e cultura dos brasileiros. Assim, recortes históricos, étnicos, sociais, politicos, econômicos, religiosos e de gênero servirão como base a narrativa que por hora apresento em capítulos. A quem se aventurar, boa leitura e boa viagem.

LONDRES - REINO UNIDO

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

PARÍS - FRANÇA